Nascimento da Igreja Batista da Redenção em Itabira

Pr. Luíz Gustavo Marques Lança

A Igreja Batista da Redenção em Itabira é filha da Igreja de mesmo nome em Belo Horizonte. O seu nascimento se iniciou, para mim, de forma inusitada, acidental e circunstancial, pois se tinha algo que nunca pensei e nunca desejei assumir foi um pastorado. Desde pequeno ouvia meu pai dizendo: “Filho, já vi muita gente boa, inclusive em nossa família, se dar mal ao se precipitar num pastorado de Igreja”. Isso foi repetido muitas vezes em minha mente e a mensagem tornou-se muito forte. “Gato escaldado tem medo de água fria”, diz o provérbio que acabou se tornando realidade em minha vida. Mas, como diz um velho amigo meu, irmão Humberto Martins de Oliveira, Deus me abateu a força no caminho e me abreviou os dias[1], colocando-me no santo ministério de tal forma que esse chamado ficou claro e incontestável diante de mim e de minha família.

Naquela época eu era membro da Igreja Batista da Redenção em Belo Horizonte e líder de um grupo familiar espontâneo em Itabira, onde a Bíblia era ensinada, orações feitas, pessoas acompanhadas na casa da nossa irmã na fé, Ilma. Não tínhamos nenhum objetivo de nos tornar Igreja, mas meramente continuar pregando o evangelho naquela localidade e cuidar da fé de alguns amigos. Por onde passei sempre agi assim: minha casa seria um centro de estudo da Bíblia e de orações. Itabira não foi diferente.

Falando um pouquinho mais de nossa história tudo começou quando pela primeira vez o pr. Ivênio dos Santos, pastor da Igreja Batista da Redenção em Belo Horizonte, falou-nos sobre a possibilidade da abertura de um novo trabalho em Itabira. Isto nos trouxe um sentimento de medo. Já tínhamos visto no passado certo irmão abençoado sucumbir tentando abrir um novo trabalho em Itabira. Em seguida virou alvo de escárnio e críticas ferinas diversas por partes de muitos na cidade. Tínhamos receio de abrir este trabalho e vê-lo fracassar.

Muitas outras vezes o Ivênio insistia em falar acerca da abertura deste trabalho em Itabira repetindo sempre as mesmas palavras e sentimentos. O tom da conversa começou a mudar quando a tônica do Ivênio passou de possibilidade, para sentimento de fé, visão de Deus na vida deste homem de Deus.

O tempo passou e no feriado de 12 de outubro de 1994 num acampamento da Mocidade para Cristo (MPC) nos reunimos com a Igreja Batista da Redenção de Belo Horizonte. Levamos conosco para este acampamento as pessoas de Itabira que estavam sendo evangelizadas e discipuladas no nosso grupo de discipulado: Eu e Gleida de Oliveira Lança (minha esposa), os irmãos Humberto Martins Oliveira e Beatriz (sua esposa), Marconi Ferreira e Rosa Amélia (sua esposa) e Sander e Ilma.

O meu amigo e, grande homem de Deus, pastor Ivenio dos Santos resolveu batizar essas pessoas porque jamais seriam de forma alguma candidatas ao batismo nas tradicionais igrejas de Itabira. Havia naquele grupo pessoas amasiadas, outras ainda fumantes, outras com problemas com álcool, mas desejosas de Jesus, outra rei do carnaval itabirano e, que foram uma a uma sendo batizadas naquela ocasião. O texto bíblico mostra que o cristianismo deve ter portas abertas a todos. Jesus disse: João 6.37 – “Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora”. Eu me lembro da ocasião em que numa rádio da cidade fomos acusados de estar batizando homens dessa estirpe e que não combinava com o evangelho. A Igreja Batista da Redenção foi então taxada de Igreja que aceita tudo. Eu e o pastor Misê, naquela ocasião, tínhamos um programa na rádio chamado: Abra a sua Bíblia. E ali e depois pessoalmente àquele pastor lhe dissemos que a Igreja não aceitava tudo, mas aceitava a todos. Ela deveria manter sua porta aberta aos pecadores daquela estirpe para que o evangelho os transformasse. Pouco depois aquele pastor saiu da cidade. Deus o mandou para outro lugar longe de nós. Voltando ao nosso tema, ao terminar os batismos, o Ivenio me disse: “Gustavo[2], agora você é o pastor dessas pessoas e vamos abrir uma igreja em Itabira com a visão que Deus nos tem dado”! Relutei muito, afinal eu tinha visto um irmão precioso fundando uma igreja em Itabira que durou menos de seis meses. Mas Deus estava à frente deste projeto e me enviou com imposição de mãos dos pastores e liderança daquela igreja para iniciar o pastoreio de uma outra igreja que começaria com oito pessoas. Hoje, somos duzentas e vinte pessoas com a visão de chegarmos à quinhentas até o final de 2010. Ousado, sem dúvida, mas verdadeiro e de Deus.

Lá o Ivênio conversando com o Sander, Ilma e Marconi deu neles um ultimato quanto ao batismo. Eu me lembro que o Marconi nem dormiu naquela noite. E naquela mesma noite o Senhor lhe deu um sonho onde ele via muitas águas, águas cristalinas, jorrando e transbordando em sua frente. Era a resposta à pergunta dele para Deus naquele dia, se devia ou não ser batizado.

No outro dia pela manhã o Marconi não parava de chorar. Tornou-se incontrolável seu choro. Para nós era claro que o Marconi já havia sido visitado pelo Espírito Santo de Deus numa experiência que o marcaria pelo resto de sua vida. O Marconi já tinha sido batizado naquela manhã pelo Espírito Santo e faltava o batismo nas águas que seria a sua confirmação para Deus.

Na verdade o choro era coletivo entre todos nós. Um choro de alegria por ver o mover de Deus entre todos nós naquele dia de forma tão clara. Ainda na manhã daquele dia minha irmã e filha na fé Fátima Brasil teve uma visão onde viu uma pomba pousada dentro da capela da Mocidade para Cristo. Ela disse a Deus: “mas, não teremos batismos hoje, Senhor!” Mal sabia ela que Deus já havia planejado batismos para aquele dia importante na história desta igreja de Itabira. Seria mais que meros batismos, mas o início de vida de uma nova Igreja plantada por Deus em Itabira.

Naquela manhã de domingo foram batizados Daniel (meu filho primogênito), Marconi, Sander, Ilma e Beatriz (esposa de Humberto).

Na hora do batismo da Ilma, Satanás se manifestou tentando reivindicar um poder que ele não mais possuía sobre a vida de Ilma. Ilma tinha sido mãe de santo com pacto anterior com Satanás que agora reivindicava posse. Mas a igreja ali reunida resistiu ao inimigo fazendo-o fugir. E Ilma pôde ser batizada em paz.

Imediatamente após os batismos Deus deu uma linda visão ao Sander onde viu uma luz forte e bonita contornando a piscina. Tendo nos contado, cremos que a luz em forma de círculo ao redor da igreja representava uma aliança que Deus fazia com aquele grupo, ou com aquela igreja emergente. A partir daí, aquele medo desapareceu de nosso coração e passamos a crer que Deus estava desejoso de abrir um trabalho novo em Itabira com esta visão forte de discipulado. O medo desapareceu do coração dos futuros pastores: Luiz Gustavo e Humberto Oliveira, e era um só o coração de todos confirmando o desejo do Senhor para todos nós. Ali nascia a Igreja Batista da Redenção em Itabira, M.G., uma igreja almejada por Deus. Nasceu no coração de Deus e depois fortemente nos nossos corações.

A Igreja Batista da Redenção em Belo Horizonte chamou-nos no domingo seguinte, à frente e, nos fez ajoelharmos diante de Deus: Eu e Gleida e Humberto e Beatriz (ambas esposas dos pastores). Por imposição de mãos dos pastores de Belo Horizonte fomos enviados como obreiros desta visão de Deus preciosa dos céus.

No dia 13/11/1994 nascia a Igreja Batista da Redenção em Itabira M.G.. Esta igreja era, pois oficialmente inaugurada através de um culto solene com as seguintes presenças registradas: pastores Luiz Gustavo e Humberto, suas esposas Gleida e Beatriz respectivamente, Marconi, Rosa Amélia e família, Sander e Ilma (hospedeiros da igreja em sua casa), Mendonça (visitante), Góia e esposa (visitantes) e Diogo e família (futuros membros). Neste culto de inauguração o pastor Gustavo comentou sobre a libertação pessoal do medo de abrir uma nova igreja em Itabira. O recém batizado Sander contou novamente a visão de Deus lhe tinha dado. Marconi testemunhou que estava respirando o oxigênio de Deus e comentou sobre o sonho que o Senhor havia lhe dado. Rosa, sua esposa testemunhou de sua alegria. O irmão Marconi era agora um novo pai e eles estavam vivendo uma nova lua de mel. Ilma compartilhou de sua fé que Deus a havia libertado de forma definitiva das garras dos demônios. Foi levantado um grande louvor ao Senhor e assim a Igreja Batista da Redenção em Itabira era inaugurada. Éramos naquela ocasião oito membros oficiais naquela nova igreja.

Posteriormente sob pedido de carta à primeira Igreja Batista de Itabira tornaram-se membros de nossa igreja os irmãos Diogo e família, Rosa e André (seu filho). Mais tarde o Senhor começou a acrescentar à igreja aqueles que Ele haveria de salvar. E logo, no início do ano passaram pela porta do reino, através do batismo: Fabinho (filho de Ilma), sr. Niquito, sr. Francisco e D. Conceição, Lourdes, Eliane, Fátima, Naiara e Juninho.

Posteriormente batizaram-se numa outra leva: Sadi e Bia, Marlene, Carolina, Ailton, Jandira e Renan.

Em um ano de existência como igreja, nossa visão e projeto seria de duplicarmos passando de oito para dezesseis pessoas. O ano se passou e com os batismos duplicamos de tamanho. Ao final do ano de 1995 éramos dezesseis pessoas. Este crescimento continuou ao longo dos anos com o Senhor abençoando abundantemente esta igreja nascente.

A Igreja cresceu com batismos e com conquistas na cidade de Itabira. Não houve proselitismo em nenhuma igreja até porque a visão eclesiológica que nos propúnhamos a viver seria bem diferente do existente na cidade.

Estou há quinze anos à frente desse pastorado com a benção e graça de nosso Senhor Jesus Cristo que confirma a cada experiência sua benção, auxílio e graça.

[1] Sal 102:23 Ele me abateu a força no caminho e me abreviou os dias.

[2] Gustavo é como os irmãos me chamam na Igreja; carinhosamente dado e aceito.


Veja algumas fotos: